Comprar a prestações tornou-se uma forma comum de adquirir telemóveis, electrodomésticos, móveis, veículos e até bens de valor relativamente baixo sem pagar imediatamente o preço completo. O problema começa quando a prestação deixa de ser uma ferramenta pontual de pagamento e passa a financiar praticamente tudo o que entra em casa. Uma compra de US$ 50 parece pequena quando apresentada como US$ 10 por mês; outra de US$ 100 pode parecer igualmente acessível dividida em várias prestações. Mas quando cinco, seis ou dez compras são financiadas ao mesmo tempo, o consumidor pode descobrir que uma parcela significativa do seu salário já foi comprometida antes mesmo de o mês começar.
O preço anunciado de uma prestação raramente conta toda a história. Para conhecer o verdadeiro custo, é necessário multiplicar o valor mensal pelo número de pagamentos e acrescentar juros, comissões, seguros e outros encargos aplicáveis. Um produto anunciado por US$ 1.000 pode acabar por custar US$ 1.250, US$ 1.400 ou mais, dependendo das condições do financiamento. A diferença pode parecer pequena quando distribuída por vários meses, mas representa dinheiro que saiu do orçamento sem aumentar o valor do bem adquirido.
O perigo torna-se maior quando o consumidor começa a pensar nas compras pelo tamanho da prestação e não pelo preço total. “São apenas US$ 30 por mês” pode parecer uma decisão financeira pequena. Mas cinco compromissos de US$ 30 representam US$ 150 mensais; dez representam US$ 300. O salário não aumentou, mas uma parte crescente dele já pertence a compras realizadas no passado. É nesse momento que a prestação deixa de ser apenas uma forma de pagamento e começa a limitar o rendimento futuro.
Comprar a prestações não é necessariamente mau. Pode ser uma solução razoável quando o bem é necessário, o financiamento tem custo conhecido e a prestação cabe confortavelmente no orçamento. O problema surge quando o crédito é utilizado para manter um padrão de consumo que o rendimento corrente não consegue sustentar. A pessoa passa a consumir hoje aquilo que terá de pagar durante muitos meses, enquanto novas despesas continuam a surgir.
Antes de aceitar qualquer compra parcelada, a pergunta mais importante não deveria ser “quanto vou pagar por mês?”, mas “quanto este produto vai custar no total e quantas outras prestações já tenho?”. Essa simples mudança de perspectiva pode revelar que uma compra aparentemente acessível está, na verdade, a comprometer uma parte relevante do salário futuro.
O verdadeiro custo de comprar tudo a prestações não está apenas nos juros. Está também na perda de liberdade financeira. Cada prestação representa rendimento que já não estará disponível para poupar, enfrentar uma emergência, investir num projecto ou simplesmente escolher como gastar o dinheiro no futuro. Quando praticamente tudo é comprado a crédito, o salário de amanhã começa a ser consumido pelas decisões tomadas hoje.