Uma compra feita hoje pode continuar a pesar no orçamento durante vários meses, mesmo depois de o consumidor ter começado a pagá-la. Isso acontece porque os juros do cartão de crédito são o preço cobrado pela utilização do dinheiro emprestado e podem aumentar o saldo em dívida quando o pagamento não é feito integralmente. O custo depende da taxa contratada, do montante em aberto, do tempo de reembolso e das regras aplicáveis ao cartão.
O que são os juros do cartão de crédito
Quando alguém utiliza o cartão para comprar produtos ou pagar serviços, está a assumir uma obrigação de pagamento. Se liquidar integralmente o saldo dentro do prazo previsto e o cartão oferecer um período sem juros para essas compras, poderá evitar esse encargo. Porém, quando deixa parte do saldo por pagar, podem ser cobrados juros sobre o montante em dívida, conforme as condições contratuais.
Imagine uma pessoa que utiliza 10.000 meticais no cartão e, na data de pagamento, consegue pagar apenas 3.000 meticais. Os restantes 7.000 meticais continuam por liquidar e poderão gerar juros. O mesmo princípio aplica-se a saldos ilustrativos de 150 dólares, 140 euros, 2.500 rands sul-africanos, 1.000 yuans chineses, 22.000 ienes japoneses ou 200.000 wons sul-coreanos. Estes são exemplos independentes em moedas diferentes, não equivalências cambiais.
Como os juros fazem a dívida crescer
A dívida não aumenta apenas porque o consumidor continua a fazer compras. Também pode crescer devido aos juros e a outros encargos previstos no contrato. Em determinados cartões, os juros são calculados diariamente com base no saldo em dívida, pelo que o montante e o tempo durante o qual permanece por pagar influenciam o custo final.
Considere uma dívida de 20.000 meticais. Se o titular pagar apenas uma parte e continuar a utilizar o cartão, o pagamento efectuado poderá não ser suficiente para impedir que o saldo permaneça elevado. O mesmo risco existe numa dívida de 300 dólares, 280 euros, 5.000 rands, 2.200 yuans, 45.000 ienes ou 400.000 wons. Os encargos concretos dependem da taxa de juro, das datas de pagamento, dos novos movimentos e das condições contratuais.
É por isso que duas pessoas que utilizaram valores semelhantes podem acabar por pagar montantes totais diferentes: uma pode liquidar a dívida rapidamente, enquanto a outra prolonga o reembolso e continua a acumular encargos.
O pagamento mínimo não elimina os juros
O pagamento mínimo é o montante que o titular deve pagar para cumprir a obrigação mínima definida no contrato. Não corresponde, necessariamente, à parcela que seria suficiente para liquidar a dívida num prazo curto.
Se uma pessoa dever 15.000 meticais e pagar apenas 1.500 meticais, ficará ainda com 13.500 meticais por pagar, antes de considerar eventuais juros e outros encargos. A mesma lógica aplica-se a saldos de 220 dólares, 200 euros, 3.800 rands, 1.500 yuans, 32.000 ienes ou 290.000 wons. Os valores são meramente ilustrativos e não representam conversões entre moedas.
Quando o consumidor paga sistematicamente apenas o mínimo, uma parte significativa da dívida pode permanecer por liquidar. Se continuar a fazer novas compras, torna-se ainda mais difícil perceber quanto deve e quanto está efectivamente a reduzir o saldo.
Todas as operações têm os mesmos juros?
Não necessariamente. As compras, os levantamentos de dinheiro a crédito e outras operações podem estar sujeitos a taxas e comissões diferentes. Em muitos cartões, os levantamentos de dinheiro não beneficiam do mesmo período sem juros aplicável a determinadas compras, podendo os encargos começar a contar desde a data da operação. As condições variam de acordo com o contrato.
Por essa razão, antes de levantar dinheiro com um cartão de crédito, o titular deve verificar a taxa aplicável, a comissão da operação e o momento a partir do qual os juros começam a ser calculados. Uma operação aparentemente conveniente pode revelar-se mais cara do que o esperado.
Como evitar pagar juros desnecessários
A forma mais directa de evitar juros sobre compras abrangidas por um período sem juros é pagar integralmente o saldo exigível até à data-limite, respeitando as condições do cartão. Esse benefício não é universal e pode deixar de se aplicar quando existe uma dívida anterior por liquidar.
Também é importante acompanhar o extracto, confirmar a taxa contratada e distinguir o saldo total do pagamento mínimo. Se já existir uma dívida, reduzir o saldo e evitar novas despesas que não sejam necessárias pode ajudar a limitar os encargos futuros. Quando não for possível pagar o valor integral, convém calcular quanto será necessário pagar mensalmente e quanto tempo poderá demorar a liquidar a dívida.
Os juros do cartão de crédito raramente chamam a atenção no momento da compra. O seu efeito torna-se mais evidente quando o pagamento é adiado e o saldo permanece em aberto. Compreender as condições contratuais, pagar dentro do prazo e acompanhar a evolução da dívida permite avaliar o verdadeiro custo do crédito antes que pequenas compras se transformem num compromisso financeiro prolongado.