O pagamento mínimo pode prolongar a dívida
Um dos aspectos que mais exige atenção é o pagamento mínimo. Trata-se do valor que o titular deve pagar para cumprir a obrigação mínima prevista no contrato, mas isso não significa que a dívida fique liquidada. O saldo restante continua em aberto e pode acumular juros e encargos.
Por exemplo, se uma pessoa utilizar 20.000 meticais e pagar apenas 2.000 meticais, continuará a dever 18.000 meticais, antes da aplicação de eventuais juros, comissões ou outros encargos. O mesmo princípio aplica-se a uma dívida de 300 dólares, 280 euros, 5.000 rands, 2.200 yuans, 45.000 ienes ou 400.000 wons: pagar apenas uma parte reduz o saldo, mas não elimina a obrigação. Os montantes apresentados são exemplos separados em moedas diferentes.
Quando este comportamento se repete, o consumidor pode passar vários meses a pagar uma dívida que diminui lentamente. Além disso, se continuar a utilizar o cartão enquanto tenta liquidar o saldo anterior, corre o risco de aumentar o valor total em dívida.
Os juros e as comissões aumentam o custo das compras
O preço indicado numa loja não representa necessariamente o custo final de uma compra feita com cartão de crédito. Dependendo das condições contratuais, podem existir juros, comissões anuais, encargos por atraso, custos de levantamento de dinheiro e outras tarifas.
Uma compra de 5.000 meticais pode acabar por custar mais do que o preço inicial quando o saldo não é pago dentro do prazo aplicável. O mesmo risco existe numa compra de 80 dólares, 75 euros, 1.300 rands, 550 yuans, 12.000 ienes ou 110.000 wons. O custo adicional dependerá da taxa de juro, do tempo necessário para pagar a dívida e das comissões previstas no contrato.
Os levantamentos de dinheiro a crédito merecem atenção especial, porque podem ter comissões próprias e condições de juros diferentes das compras habituais. Antes de utilizar essa funcionalidade, convém confirmar o custo total da operação.
Cartão de crédito não significa dinheiro extra
O limite disponível não deve ser confundido com um aumento do salário. Uma pessoa que recebe 25.000 meticais por mês e utiliza mais 10.000 meticais do cartão para financiar despesas regulares terá de pagar essa dívida com rendimentos futuros. O mesmo princípio aplica-se a quem recebe 700 dólares, 650 euros, 12.000 rands, 5.000 yuans, 100.000 ienes ou 900.000 wons por mês: o crédito utilizado terá de ser reembolsado, independentemente da moeda.
O cartão pode facilitar pagamentos, permitir compras pela internet e ajudar a organizar despesas. Contudo, quando passa a financiar alimentação, transporte e outras necessidades todos os meses porque o rendimento não chega, pode estar a esconder um desequilíbrio financeiro. Nesse cenário, continuar a utilizar o limite não resolve a falta de dinheiro; apenas transfere parte do problema para o futuro.
Como utilizar o cartão sem perder o controlo
A primeira medida é conhecer o limite, a data de fecho da facturação, a data de pagamento, a taxa de juro e as comissões. A segunda é utilizar o cartão apenas para despesas que possam ser suportadas pelo orçamento, sem depender de rendimentos incertos para liquidar o saldo.
Sempre que possível, pagar integralmente a dívida dentro do prazo aplicável reduz o risco de acumulação de juros. Também é importante acompanhar os movimentos com frequência, activar notificações de transacções e comunicar rapidamente operações que não sejam reconhecidas.
Se a dívida já se acumulou, o consumidor deve evitar novas compras não essenciais, calcular o saldo total e estabelecer um plano de pagamento compatível com os seus rendimentos. Ignorar os extractos ou pagar apenas o mínimo sem compreender os encargos pode prolongar o problema.
No fim, o cartão de crédito é uma ferramenta de pagamento associada a uma obrigação de reembolso, não uma extensão do salário. A sua utilidade depende menos do limite concedido e mais da capacidade de controlar os gastos, compreender as condições contratuais e pagar a dívida dentro dos prazos.